teoria austríaca

Não sou um especialista e vou divagar nas linhas deste texto – mas parece-me que o maior insight da teoria económica austríaca é que a economia opera num mecanismo evolutivo de variação/selecção. Existe uma evolução de práticas económicas individuais destinadas a optimizar as consequências de quem as pratica. Novas e melhores práticas surgem ao longo do tempo, são adoptadas e tornam-se comuns, e da mesma maneira são superadas e abandonadas, num processo guiado pela vontade de sucesso económico dos participantes. Esta descrição sugere que a actividade económica e financeira, deixada a operar naturalmente e sem restrições, é um caminho que pode levar à prosperidade da maioria dos indivíduos que nela participam. Os defensores da teoria austríaca defendem que este caminho é o mais eficaz, e o mais rápido para tal. Não duvido que a actividade económica desregulada possa levar à prosperidade social – a minha questão é se isso é um dado certo, mesmo a longo prazo. Populações, evoluindo seguindo uma lógica evolutiva, podem não evoluir para um estado que seja considerado óptimo a nível geral; podem ficar “presas” num ponto óptimo a nível local, mas não a nível global. E onde a evolução para um patamar superior é improvável. Isto acontece porque a evolução via variação/selecção dá-se gradualmente e em pequenos passos, onde cada pequeno passo representa uma pequena vantagem obtida relativamente ao estado anterior. Se não existirem locais, acessível em poucos passos, superiores ao ponto presente, é fácil ficar preso neste ponto (imaginemos um alpinista que apenas pode subir, nunca descer). Este mecanismo é caracterizado por coisas como a probabilidade de se darem saltos maiores ou passos curtos, ou a susceptibilidade a factores aleatórios. Um mecanismo que seja mais instável, propenso a saltos maiores e mais susceptível a perturbações, vai ter uma maior tendência para conseguir escapar dos máximos locais, mas segue por caminhos imprevisíveis e existe uma menor garantia que os novos estados sejam melhores que os anteriores, perdendo efeito a sua característica evolutiva. Outro importante ponto é este: nós assumimos que a altura das montanhas do nosso alpinista representa uma medida de bem estar social, implicitamente global. Mas no fundo, não representa antes uma soma de medidas de bem estar individuais, e onde cada indivíduo/entidade contribui com um peso diferente, definido pela sua influência no jogo económico? Hmm.. O ponto é este: dizer que um mecanismo evolutivo leva necessariamente (outra vez: necessariamente) a um estado social óptimo, onde este óptimo tem em conta valores como a prosperidade da globalidade da população e de um bem estar social geral, faz torcer o nariz. (Relendo meses depois: e não dá para associar isto à noção de múltiplos pontos de equilíbrio económicos?)

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