divagações do dia

Um governo que tente valorizar a sua moeda tem 2 ferramentas à disposição (eventualmente mais): 1) o saldo governamental: um déficit diminui o seu valor porque, mantendo-se a procura constante, aumenta a quantidade de moeda circulando (oferta); um superavit tem o efeito oposto. 2) pelos impostos: se a quantidade de dinheiro taxada pelo governo aumenta, tudo o resto constante, aumenta a procura do dinheiro e o seu valor. Déficits influenciam a valorização cambial, o que pode ser bom ou mau, dependendo do contexto. Uma moeda forte ajuda economias que importam produtos base para criar novos produtos de maior valor, uma moeda fraca ajuda economias que se focam na exportação de produtos. Mas é óbvio que estamos a olhar apenas em termos de procura/oferta. Será esta medida a melhor para avaliar as consequências da política cambial? Talvez seja, o aumento do rácio procura/oferta faz aumentar a actividade económica, levando a baixo níveis de desemprego, maior emprego e maior consumo. Este consumo é maioritariamente de produtos nacionais, visto a moeda desvalorizada não ter grande poder de compra. Mas podemos assumir que uma economia pode ver a procura dos seus produtos aumentar de maneira significativa, ou a sua capacidade de produção. Isto pode ser devido a factores tecnológicos ou de preferencias de mercado. Podemos imaginar uma economia que consegue vender toda sua produção potencial ao estrangeiro (que é limitada pelo número finito de recursos materiais e humanos, e pela taxa finita de progressão tecnológica) a um preço bastante alto (que é definido pelo valor relativo da moeda). Neste caso, não existe qualquer benefício em desvalorizar a moeda – não se vai vender mais por isso. Por outro lado, será possível aumentar o valor relativo da moeda e mesmo assim ter procura estrangeira para todos os produtos aos preços actuais. O que é bom – ganha-se poder de compra sem nenhuma desvantagem. Esta situação pode acontecer, e é o final objectivo de uma política de valorização cambial que tenha como referência a procura/oferta, com as considerações referidas acima. Por outro lado, corrigindo a assumpção acima, podemos agora assumir que uma economia pode não ver a procura dos seus produtos aumentar de maneira significativa, nem a sua capacidade de produção. Isto pode ser devido a limitações tecnológicas, sociais, ambientais, de corrupção, educativas. Podemos imaginar que a produção do país continua a ter uma procura baixa no estrangeiro, e/ou que dinheiro que entra não é suficiente para aumentar a produtividade da economia referida, nem a procura dos seus produtos. O país não acompanha o ritmo de desenvolvimento dos outros países. O que fazer neste caso? (É ir à raiz e resolver esses problemas estruturais).

MMT e o homem Krug

http://krugman.blogs.nytimes.com/2011/08/15/mmt-again/?_r=1

O Krugman parte do princípio que o dinheiro é “exogenous” (e a sua análise é correcta se for esse o caso). Os economistas MMT partem do princípio que o dinheiro é “endogenous” (e as suas conclusões seguem logicamente dessa premisa). Estou a pensar que na situação de “liquidity trap” descrita pelo Krugman (e outros), o dinheiro torna-se “endogenous” e a análise “new keynesiana” (Krugman) torna-se equivalente à análise MMT. De qualquer maneira, o ponto fundamental é esta discussão sobre a natureza do dinheiro.